Dilma ficou em Brasília, Serra viajou ao RJ e Marina ficou em São Paulo
Os três principais candidatos à Presidência – Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) – responderam nesta quarta-feira (11) a perguntas sobre escândalos políticos. O tucano e a senadora tentaram explicar suas relações com pessoas envolvidas no suposto esquema de pagamento de propina a parlamentares que abalou o governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2005. Já a ex-ministra foi instigada a falar sobre suposta montagem de dossiês por petistas durante a campanha eleitoral.
Serra não teve compromissos durante o dia. Ele reservou sua agenda para a entrevista a uma emissora de TV que concedeu à noite. Dilma deu palestra em evento da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, em Brasília, onde também conversou com a imprensa. Já Marina Silva, teve agenda cheia. Pela manhã, a senadora visitou o Pivi (Projeto de Incentivo à Vida), em São Paulo, e, no início da tarde, se encontrou com empresários de diversos setores ligados à Amcham (Câmara Americana do Comércio).
Dilma
Questionada sobre fato de ex-integrantes do fundo de pensão Previ terem sido convidados a falar no Senado sobre a suspeita de que montariam dossiês para o PT, Dilma disse que é preciso ter cuidado.
- O que deve ser muito criterioso é que não se acuse sem prova, se não no final da campanha vai ter gente que vai passar para a história das campanhas como tendo difamado desnecessariamente pessoas sobre as quais não tinham provas.
A ex-ministra também afirmou que vai continuar citando “tudo que for de bom do governo” em entrevistas e debates.
- Tem alguma coisa errada em divulgar os dados se eles são bons? Tudo que for bom do governo é uma realização que tenho orgulho de ter participado. Qual é a alternativa, esconder que o país está bom?
A petista, que já foi acusada pela oposição de ter posições “estatizantes”, defendeu parceria entre setores público e privado para construir ferrovias.
- É preciso haver uma relação virtuosa entre governo federal e setor privado. Nem o governo federal dá conta de tudo, nem o setor privado pode ficar abandonado à sua sorte.
Serra
Em entrevista a TV, o tucano disse que não o constrange o fato de sua chapa comportar políticos do PTB, um dos partidos acusados de envolvimento no escândalo do mensalão petista.
- O PTB em São Paulo sempre esteve com o PSDB, isso teve uma importância muito grande. Os personagens principais [do mensalão] nem foram do PTB.
O tucano ainda adotou a tática do presidente Lula de usar metáforas futebolísticas para deixar claro que a discussão não pode ser do passado, mas do futuro.
- Não estamos fazendo uma disputa do passado. É como se eu ficasse discutindo quem era melhor para efeito de ganhar a próxima Copa, o [Luis Felipe] Scolari ou o [Carlos Alberto] Parreira, e quem é o técnico é o Mano Menezes.
Questionado sobre comparações entre Lula e FHC, Serra também defendeu o ex-presidente tucano.
- O governo anterior do Fernando Henrique teve muitas contribuições para o Brasil, entre elas o Plano Real, a inflação era de 5.000% ao ano e foi quebrada a espinha, e várias outras coisas que o governo Lula recolheu e seguiu.
Marina
Para explicar seu comportamento durante o episódio do mensalão, a candidata verde disse que não vai criticar o PT, partido do qual foi filiada por 30 anos, porque não age de "forma antiética".
- Ali, foi uma minoria que errou. O que não se pode fazer é uma generalização com todas as pessoas. Eu não participei de nenhum ato ilícito e conheço milhares de pessoas que também não participaram. E não é porque sou candidata que vou fazer discurso de conveniência.
A senadora citou como exemplos de bons estrategistas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o tucano FHC. Marina, porém, disse que chegou a hora de parar de votar nos “mesmos”, se o país quiser ver sair do papel as reformas necessárias.
- Se continuarmos elegendo os mesmos, as reformas serão apenas os figurantes das eleições.
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