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terça-feira, 6 de abril de 2010

PT e PSDB se provocam com discussão sobre ética

José Serra provocou primeiro, citando ética em sua despedida do governo de São Paulo; Dilma Rousseff respondeu e debate continua entre outros membros dos partidos
José Serra X Dilma Rousseff
José Serra X Dilma Rousseff



A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma, afirmou nesta segunda-feira (5) que o PT não se assusta com a discussão da questão ética, referência ao discurso de despedida do pré-candidato do PSDB, José serra, do governo de São Paulo. Serra, ao fazer um balanço de sua gestão como governador de São Paulo, afirmou que em seu governo nunca houve o "silêncio da cumplicidade ou conivência com o malfeito". Em sua primeira entrevista depois de sair do governo, para o jornal O Estado de S.Paulo, Dilma respondeu o tucano: "Esse debate é muito bom para a gente", afirmou, dando como exemplo "tudo o que foi feito" nas operações da Controladoria-Geral da União com a Polícia Federal (PF).

"Se teve um governo que levantou o tapete, foi o governo Lula", afirmou a ex-ministra. "Antes não apareciam denúncias, porque ninguém apurava." Sem citar nomes, Dilma criticou a atuação da Procuradoria-Geral da República (PGR) durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. "Acabamos com a figura do engavetador-geral. Onde está o engavetador? A União não engaveta mais nada", disse. "Nos sentimos muito à vontade em fazer essa discussão." Dilma também afirmou que os rivais terão de mostrar propostas para o País não ficar estagnado: "O Serra que me desculpe, mas ele não foi só ministro da Saúde. Foi ministro do Planejamento. Planejou o quê?", disse.

O ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, também desafiou a oposição para uma discussão sobre ética durante a campanha eleitoral. "Nós temos o que mostrar sobre a aliança PSDB e DEM. O PSDB e o DEM não tem moral para falar sobre tema ético do governo do presidente Lula", desabafou o ministro. Padilha citou os mesmos exemplos positivos que Dilma. "Nós queremos entrar e enfrentar este debate sobre a ética. Nós temos o que mostrar, o que o nosso governo fez no combate à corrupção, nos aspectos da Controladoria Geral da União, da Policia Federal, e o que foi feito pelos governos anteriores", disse.

Questionado se o governo não teme as lembranças sobre as acusações do Mensalão e dos aloprados, Alexandre Padilha afirmou que "se os tucanos vierem de novo querer fazer o debate sobre ética" o PT vai "enfrentar o debate ético sem problema nenhum".

E é exatamente neste ponto que a oposição deve bater. "Já que a ministra está pronta para fazer o debate ético, gostaríamos de começar pelo dossiê dos aloprados", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), em resposta à Dilma. Guerra aproveitou a deixa da entrevista da ex-ministra e disse que quer que Dilma e o PT expliquem o caso do falso dossiê sobre corrupção que seria usado por petistas contra candidatos tucanos na eleição de 2006, em São Paulo, batizado de "escândalo dos aloprados" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O PSDB quer explicações também sobre o Caso Bancoop, em que a cooperativa habitacional dos bancários de São Paulo é acusada de dar calote em vários associados quando era dirigida pelo atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. "Temos que conhecer melhor a biografia do Vaccari, que, na condição de tesoureiro do PT, assina o cheque para pagar o aluguel da casa da candidata", disse o presidente do PSDB.

Segundo Guerra, Dilma ainda deveria explicações sobre as "graves irregularidades" apontadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em várias obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como o caso da Refinaria Abreu e Lima. Em resposta à indagação da ex-ministra sobre o que teria feito Serra quando comandou o Ministério do Planejamento, Guerra afirmou que foi o pré-candidato tucano a presidente quem desenvolveu o conceito e a prática do programa "Brasil em Ação". Guerra afirma que este programa incluía projetos para o Brasil inteiro - muitos deles no Nordeste, como o porto de Pecém - e tinha um papel estruturante, gerência própria e financiamento seguro.

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